Tela D. Pedro II
Metadados
Título
Tela D. Pedro II
Descrição
Figura masculina aparentando ter entre 13 e 15 anos. Está posicionado de frente, com os olhos direcionados para o horizonte. Seus cabelos são curtos, lisos e loiros, e caem sobre a testa. As duas orelhas encontram-se à mostra, as sobrancelhas são finas, os olhos, arredondados, e o nariz, fino e comprido. A boca encontra-se fechada, sendo o lábio superior mais fino que o inferior. Veste uma gola alta de cor branca por baixo de um traje militar com adornos, broches, condecorações e uma faixa de cor amarelada que transpassa o peito, partindo do ombro esquerdo, debaixo da dragona.
Proteção legal
Nenhuma
Origem
Santa Luzia - MG
Dimensões
54,0 x 44,0 x 3,2 (com moldura) / 43,5 x 33,5 (tela)
Técnica
Óleo sobre tela
Procedência
Ateliê de Célio Nunes
Autor
Célio Nunes
Classe/subclasse
Acervo histórico/Pintura figurativa
Data
08/2004
Estado de conservação
Regular
Diagnóstico
A peça encontra-se em bom estado de conservação, não apresentando danos em seu suporte nem na camada pictórica. No entanto, a moldura apresenta perdas ocasioandas por ataque de insetos xilófagos.
Dados históricos
O quadro fazia parte da pinacoteca da Revolução Liberal de 1842, presente no acervo do MHAD. O pesquisador junto ao artista Célio Nunes foi o magistrado Carlos Henrique Caldeira Brant, conhecedor e pesquisador da Revolução Liberal.
Quanto à figura representada, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 2 de dezembro de 1825. Era filho de dom Pedro I e da arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina. Seus avós paternos eram dom João VI e dona Carlota Joaquina de Bourbon, e maternos, o imperador Francisco I da Áustria e Maria Teresa de Bourbon do Reino das Duas Sicílias. Torna-se imperador com apenas cinco anos de idade, quando seu pai, d. Pedro I, abdica ao trono brasileiro e parte para Europa para retomar o trono de Portugal que havia sido usurpado por seu irmão, D. Miguel.
Implantada a Regência (1831-1840), dom Pedro esteve inicialmente sob a tutela de José Bonifácio de Andrada e Silva, mas depois o tutor entrou em brigas regenciais defendendo a restauração do primeiro imperado e foi demitido em 1833, sendo substituído pelo militar reformado Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, sob a supervisão da Câmara dos Deputados. Em 1840, devido a um golpe de estado promovido pelo Partido Liberal (Golpe da Maioridade), D. Pedro II assume o trono.
A representação do então Imperador do Brasil ainda jovem na pintura de Célio Nunes serve para contextualizar o período em que se iniciaram as revoltas liberais. Buscando por uma alternativa ao Governo Regencial que permitisse o estabelecimento da ordem no país, liberais e conservadores acabaram optando pela antecipação da maioridade de Dom Pedro II para 14 anos, em 23 de julho de 1840, ato que ficou conhecido como o “Golpe da Maioridade”. Já em 1842, atendendo ao Partido Conservador, Pedro II toma medida extrema e baixa decreto dissolvendo a Assembleia Legislativa Geral e convoca nova eleição, desagradando o Partido Liberal, que começa a deflagrar protestos contra o Imperador. Ocorrem revoluções na província de Sorocaba (o Grito de Sorocaba) e na província de Minas (o Grito de Barbacena). Em 17 de junho de 1842 ocorre o fim da Revolução Liberal em São Paulo, quando os liberais são vencidos pelo Exército Imperial. O mesmo ocorre em Minas, com a Batalha de Santa Luzia. Em 1844 o imperador baixa decreto concedendo anistia ampla, geral e irrestrita a todos os liberais envolvidos na Revolução.
Na década de 70, Dom Pedro II viajou duas vezes à Europa, deixando sua filha a Princesa Isabel como Regente. Em 1871, assinou a lei do Ventre Livre e em 1875 foi resolvida a Questão Religiosa. Em 1886, Dom Pedro adoece e parte novamente para a Europa. No dia 15 de novembro de 1889, pela conjugação de interesses políticos, o governo imperial foi derrubado. Estava proclamada a República no Brasil. No dia seguinte organizou-se um governo provisório, que deu 24 horas para Dom Pedro deixar o país. Dom Pedro de Alcântara embarca com a família para Portugal. Era 17 de novembro de 1889, dois dias após a proclamação da República. Chegando em Lisboa no dia 7 de dezembro seguiu para o Porto, onde a imperatriz morreu no dia 28 do mesmo mês. Pedro, com 66 anos, segue sozinho para Paris. Em novembro de 1891, doente não saia mais do quarto. Morre no dia 5 de dezembro de 1891, em consequência de uma pneumonia. Seus restos mortais são transladados para Lisboa, e depositados no convento de São Vicente de Fora, juntos aos da esposa. Quando revogada a lei do banimento em 1920, os despojos dos imperadores foram trazidos para o Brasil e depositados na catedral do Rio de Janeiro em 1921. Em 1925, foram transferidos para Petrópolis.
Características iconográficas
A figura representada porta em sua veste militar placa dourada, formada em raios e tendo ao centro um círculo escuro com uma cruz latina, perfilado de ouro, que remete a uma placa de Grã Cruz da Ordem de Cristo. Também pende de um tecido envolto em seu pescoço uma insígnia dourada, onde pende outro pingente que se assemelha a um laço dourado, o que remete à placa do Tosão de Ouro. Sua veste é transpassada por uma faixa amarela, que aponta para a sua posição de monarca. Os bordados simbolizariam folhas e frutos de carvalho, que se apresentam como uma alegoria à monarquia brasileira.
Características técnicas
A tela, pintada a óleo, possui paleta de cores não muito variadas, são elas: marrom, ocre, preto, dourado e vermelho. Não possui brilho acentuado e a moldura é de madeira chanfrada, superfície lisa e brilhante de cor marrom. O friso da extremidade interna é dourado.
Referências arquivísticas/bibliográficas
ASSIS, Maria Clara. Inventário dos bens culturais da Revolução Liberal de 1842. Santa Luzia, 2019.
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Pedro II, dom. Disponível em: Acesso em 28/05/2020.
PREFEITURA DE GUARAREMA. D. Pedro II. Disponível em: Acesso em 28/05/2020.
FREESZ, Clara Rocha. A odisseia das roupas de d. Pedro II: dos guarda-roupas imperiais às arcas do Museu Mariano Procópio. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da UFJF. Juiz de Fora, 2015. Disponível em: Acesso em 28/05/2020.
MUSEU IMPERIAL. O Simbolismo no traje majestático usado pelo imperador Pedro II. In: Arts and Culture. Disponível em: Acesso em 06/01/2021.
Observações
Inscrições:
“AGOSTO / 2004 / CÉLIO NUNES / [assinatura do autor]” à grafite, entre lado superior e centro; “Revolução Liberal de 1842 / Iconografia / Nome: Imperador D. Pedro II / Fonte – Grandes personagens da nossa historia – Abril Cultural / Técnica – Óleo sobre tela / Dimensões – 35cm x 45cm / Artista plástico: Célio Nunes / Data: Junho / 2004 / Pesquisador: Marcos Henrique Caldeira Brant / Acervo patrimonial nº ____” impressão sobre papel, entre centro e lado inferior; “PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA LUZIA / PATRIMÔNIO / Nº 50291” impressão sobre etiqueta de metal , no lado inferior. (verso)
Nº de Registro: “R28” à tinta acrílica, no canto inferior direito (verso).
Número de registro
R28


