Tela Rafael Tobias D’Águiar
Metadados
Título
Tela Rafael Tobias D’Águiar
Descrição
Representação a óleo de homem branco com idade entre 40 e 45 anos. Apresenta cabelo louro escuro partido para o lado direito, testa comprida, com marcas de expressão, sobrancelhas finas, com vincos entre estas, nariz achatado, olheiras leves, marcas de expressão que delimitam as bochechas, lábios finos, queixo arredondado com dobras no meio e mandíbula proeminente. Veste farda militar marrom de gola alta, decorada com motivos botânicos dourados. Usa dragonas douradas, duas insígnias de mesma cor, uma em formato de estrela envolta por aro dourado e outra que se assemelha a um esplendor encimado por uma coroa.
Proteção legal
Nenhuma
Origem
Santa Luzia - MG
Dimensões
54,0 x 44,0 x 3,2 (com moldura) / 43,5 x 33,5 (tela)
Técnica
Óleo sobre tela
Procedência
Ateliê de Célio Nunes
Autor
Célio Nunes
Classe/subclasse
Acervo histórico/Pintura figurativa
Data
08/2005
Estado de conservação
Regular
Diagnóstico
A peça encontra-se em bom estado de conservação, não apresentando danos em seu suporte nem na camada pictórica. No entanto, a moldura apresenta perdas ocasioandas por ataque de insetos xilófagos.
Dados históricos
O quadro fazia parte da pinacoteca da Revolução Liberal de 1842, presente no acervo do MHAD. O pesquisador junto ao artista Célio Nunes foi o magistrado Carlos Henrique Caldeira Brant, conhecedor e pesquisador da Revolução Liberal.
Quanto à figura representada, Rafael Tobias D’Aguiar nasceu em Sorocaba no dia 4 de outubro de 1794. Era filho do Coronel Antônio Francisco de Aguiar, negociante e administrador do Registro de Tropas em Sorocaba, e de Gertrudes Eufrosina de Aguirre. Em 1798 foi inscrito no Quadro de Regimento de Cavalaria da Vila. Aos treze anos foi para São Paulo para dar continuidade aos estudos com os monges beneditinos, onde cursou Latim, Retórica e Filosofia. Com a morte do pai, retornou a Sorocaba, em 1818, e assumiu a administração dos bens da família, acumulando, também, funções públicas no Reistro de Animais, na Real Fábrica de Ferro de Ipanema e arrematador de impostos.
Em 1822 armou combatentes para integrarem o Batalhão dos Paulistas em defesa ao Príncipe D. Pedro durante a campanha de Independência. Em 1824 foi eleito membro do Conselho da Província de São Paulo. Foi também nomeado pelo imperador para o Conselho de Estado, composto por membros vitalícios, criado por D. Pedro I após a dissolução da Assembleia Constituinte, que deveria ter elaborado a primeira constituição. Em 1830 passa a residir definitivamente em São Paulo. Assumiu diversas vezes o cargo de deputado à Assembléia Geral Legislativa de São Paulo e o de Presidente da Província por dois mandatos (1831-1835 e 1840-1841).
No contexto da Revolução Liberal de 1842, os liberais paulistas proclamaram Rafael Tobias de Aguiar como novo presidente interino, o qual assumiu a liderança da Revolução Liberal. Em 14 de junho do mesmo ano casou-se com Domitila. No dia 20 de junho, após embates com a tropa legalista chefiada pelo brigadeiro Caxias, que entrou vitorioso em Sorocaba, Rafael Tobias de Aguiar fugiu para o Rio Grande do Sul, onde foi preso em novembro. No mês seguinte foi levado para o Rio de Janeiro, onde ficou preso na Fortaleza da Laje até 1844, ano da concessão de anistia geral aos revoltosos.
Foi condecorado com a comenda da Ordem de Cristo, dignitário da Imperial Ordem da Rosa e com o posto de brigadeiro. Continuou atuando no meio político até os 63 anos, quando faleceu a bordo do navio Piratininga na baía de Guanabara. Seu corpo embalsamado foi levado para São Paulo e foi sepultado em 26 de outubro de 1857 no jazigo da Ordem Terceira da Igreja de São Francisco.
Características iconográficas
Nas vestes da figura representada estão duas insígnias no formato de estrela de seis pontas (a primeira dourada, pende de um colar de tecido vermelho e a segunda prateada está colocada sobre a veste), rodeadas por uma espécie de guirlanda de mesma cor, que remetem à insígnia da Ordem da Rosa, e outra placa dourada, formada em raios e tendo ao centro um círculo vermelho com uma cruz latina, perfilado de ouro, que remete a uma placa da Ordem de Cristo. A figura também veste dragona, distintivo militar no ombro, feito de galão, ou metal, com distintivos dos postos, que, segundo as graduações, se põe no ombro esquerdo, ou direito, ou em ambos; a dos oficiais inferiores é de lã, pano, ou metal, com ou sem franja.
Características técnicas
A tela, pintada a óleo, possui paleta de cores não muito variadas, são elas: marrom, ocre, preto, dourado e vermelho. Não possui brilho acentuado e a moldura é de madeira chanfrada, superfície lisa e brilhante de cor marrom. O friso da extremidade interna é dourado.
Referências arquivísticas/bibliográficas
ALMEIDA, Adilson José de. Uniformes da Guarda Nacional (1831-1852): a indumentária na organização e funcionamento de uma associação armada. An. mus. paul., São Paulo , v. 8-9, n. 1, p. 77-147, 2001 . Disponível em . acessos em 06 jan. 2021. https://doi.org/10.1590/S0101-47142001000100004.
ASSIS, Maria Clara. Inventário dos bens culturais da Revolução Liberal de 1842. Santa Luzia, 2019.
MUSEU IMPERIAL. O Simbolismo no traje majestático usado pelo imperador Pedro II. In: Arts and Culture. Disponível em: Acesso em 06/01/2021.
MUSEU DA CIDADE DE SÃO PAULO. Rafael Tobias de Aguiar. Disponível em: Acesso em 06/01/2021.
Observações
Inscrições:
- “AGOSTO / 2005 / CÉLIO NUNES / [assinatura do autor]” à grafite, entre lado superior e centro; “Revolução Liberal de 1842 / Iconografia / Nome: Coronel Rafael Tobias de Aguiar / Fonte –Galeria dos Brasileiros Ilustres – S.A. Sisson / Técnica – Óleo sobre tela / Dimensões – 35cm x 45cm / Artista plástico: Célio Nunes / Data: Agosto / 2005 / Pesquisador: Marcos Henrique Caldeira Brant / Acervo patrimonial nº ____” impressão sobre papel, entre centro e lado inferior; “Rafael Tobias D’Águiar” á grafite, entre canto inferior esquerdo e canto inferior direito.
- Nº de Registro: “R29” à tinta acrílica, no canto inferior direito (verso).
Número de registro
R29


